Ligação Ancestral - UMBANDA

Blog que disponibilizará artigos sobre a Umbanda, liturgias afro-brasileiras e outros assuntos semelhantes.

quarta-feira, 18 de maio de 2016

De Carlos Pavão a Lazinho Quilombola...

Pai Lazinho do Quilombo


Amigos, peço um pouco da atenção de vocês...

Vou contar uma história rápida que envolverá o nome do qual me apresentarei daqui pra frente, um nome/apelido que tenho desde menino e que na realidade todos meus amigos e mais chegados me conhecem apenas por este nome/apelido e quando escutam ''Carlos Pavão'' muitas vezes nem sabem de quem se trata, acham que se trata de meu pai carnal...

Nasci no berço umbandista, sou filho de pais de santo, desde bebê tive uma ligação muito forte com um guia espiritual de meu pai carnal, do qual me batizou e foi um padrinho de verdade por toda minha vida. Cresci ouvindo que eu era um herdeiro e um dia esta herança chegou, por um motivo que ocorreu do qual é particular esta herança chegou mais cedo e justamente foi a transição deste guia de meu pai pra mim, que ao trabalhar em mim revelou suas origens da qual não citarei, mas que citou sobre uma ligação em seu nascimento com um antigo Quilombo, que de certa forma era um herdeiro Quilombola, mais a frente descobri uma ligação mais forte ainda com esta entidade da qual também reservarei a informação. Juntamente desta entidade espiritual havia uma outra que sempre protegeu meu pai, entidade esta não muito, talvez nada conhecida na Umbanda, mas que foi em vida um quilombola, um revolucionista que no nordeste brasileiro fez surgir diversos pequenos quilombos. Bem, além da minha ligação com a Umbanda eu tenho uma forte ligação com a arte chamada Capoeira, a conheci com cinco anos de idade e comecei sua prática com onze anos de idade, no primeiro ano de sua prática recebi o apelido de ''LAZINHO'' e assim fui conhecido, assim sou conhecido por todos meus amigos e pessoas de meu ciclo, sinceramente até estranho quando me chamam de ''Carlos''.

Por homenagem também a minha raiz na Umbanda, vinda do Sr. João Ferreira, conhecido como ''João Maracá'', um pernambucano, descendente Bantu, filho de Mukuá Nbanda e herdeiro Quilombola que migrou para cidade de São Paulo e nesta cidade deu início a esta família espiritual da qual faço parte estarei me apresentando como ''PAI LAZINHO DO QUILOMBO''. E como disse Seu Malunguinho, um mestre de Jurema que se manifesta em meu pai carnal e espiritual: ''Se apresente como Lazinho do Quilombo, leve a frente a bandeira da luta pela libertação e hoje o seu e o nosso quilombo de libertação de chama Recanto das Almas Benditas.

segunda-feira, 28 de março de 2016

MESTRE JOSÉ PILINTRA (SEU ZÉ PILINTRA) - Por Pai Carlos Pavão


Mestre José Pilintra (Seu Zé Pilintra) - Por Pai Lazinho Quilombola (Carlos Pavão)

Hoje um guia espiritual muito conhecido em diversas vertentes como Jurema Sagrada, Umbanda e Candomblé, conhecido de nome até mesmo entre pessoas que sequer são adeptas dessas vertentes cultualísticas. Não venho através deste texto falar sobre a vida dele ou impor verdades, apenas compartilhar o meu conhecimento sobre este divino guia espiritual e guias que carregam seu nome como uma bandeira, cujos trabalham nas mais diferentes vertentes e diferenciados arquétipos trazendo seu nome: ''Zé Pilintra''.

Se fosse pra definir a bandeira Zé Pilntra que carregam esses guias eu diria que antes da definição dividiria duas fases: os guias que trazem aspectos semelhantes de seu Zé Pilintra na raiz nordestina, no apego aos costumes católicos popular e principalmente no tradicionalismo da Jurema Sagrada. E a segunda fase os guias que trazem aspectos do malandro, mas no conceito antigo da palavra, que são pessoas de estilo próprio, galanteadores, mais desenvoltos, animados e proseadores. Não há como falar de seu Zé Pilintra sem dividir a sua bandeira, ou seja, o seu legado em duas fases.

Na minha concepção, o Mestre José Pilintra, percursor de toda linhagem e nome é o tradicional nordestino, homem de palavra firme, que tem como costume o respeito pela honra, desenvolto, mas sem perder o rótulo do ''cabra macho'' do nordeste, aquele que em vida teve afinidade ao catolicismo popular, devoto de alguns santos ou santas, rezador e orador e que em algum momento da vida teve sua iniciação, o seu tombamento no culto de Jurema Sagrada, culto este de matriz paraibana e muito difundido no nordeste e norte do Brasil, um homem típico nordestino com os costumes da época e principalmente, a postura dos homens da época: sisudo, porém, descontraído sem perder a pose. Sua primeira manifestação foi justamente no culto de Jurema Sagrada, entre regiões de Paraíba ou Alagoas, o que me faz mais crer é que seja em Alagoas, por isso o ''Zé de Alagoas'', a confusão que muitos fazem por ele ter sido alagoano e não Pernambucano (como a meu ver foi). Por sua primeira ou uma das primeiras manifestações ter ocorrido em Alagoas muitos diziam que Seu Zé Pilintra veio de Alagoas, e daí surgiram algumas confusões de seu local de nascimento em vida carnal.

Ao se manifestar na Jurema Sagrada este guia já se destacou pelo nome popular que trouxe: ''Mestre José ou Zé Pilintra'', também começou a se destacar pelo seu modo de trabalhar, já que na Jurema a postura dos mestres era de homens mais sisudos e de poucas palavras, seu Zé também era sisudo, porém, mais desenvolto, se comunicava com todos no ambiente, outro destaque de Mestre Zé Pilintra foi a forma que atuava nos trabalhos espirituais, pois, era comum cada mestre de Jurema ser especializado num campo de atuação: alguns com ervas, outros com conselhos amorosos, outros em quebras de demanda, outros com cura em setores específicos, etc. Já seu Zé Pilintra trabalhava em todos os campos, era conselheiro, curador, quebrador de demandas, etc. Seu nome foi expandindo e com isso pedidos por toda parte do nordeste a seu nome também, e foi deste ponto em diante que começaram a se manifestar diversos guias espirituais trazendo o nome de ''Zé Pilintra'', começando pela Jurema Sagrada, cada um trazendo a sua história, entretanto, um arquétipo bem parecido com de seu Zé, já que era comum o mestre ter a postura do homem nordestino da época. Diria que eu poderia definir a primeira fase desta forma: Seu Zé Pilintra e guias que trouxeram a sua bandeira se apresentavam como homens rezadores, que traziam o costume do catolicismo popular, da simplicidade nordestina mais levada pro sertão do nordeste e a característica do mestre de Jurema Sagrada, alguns mais sisudos, outros mais desenvoltos, uns rezadores e outros mais cantadores, puxadores das ladainhas (linhas) de Jurema.

Com a expansão do nome de Mestre Zé Pilintra, outras vertentes religiosas tomaram seu conhecimento e obtiveram crenças neste mestre, com isso, o poder de atração da fé das pessoas também trouxe a manifestação de seu Zé Pilintra e guias que o acompanhava na Jurema Sagrada, mas contudo, começaram a se manifestar guias que trouxeram a bandeira de seu Zé Pilintra, entretanto, com outro tipo de vida anterior e costumes, pois, foram atraídos pelo tipo de praticantes umbandistas, pessoas que traziam mais características das regiões que a Umbanda era praticada, então foram aparecendo guias mais desenvoltos, que traziam o teor da antiga malandragem, principalmente a malandragem baiana, com estilos de vestimentas semelhantes do Mestre Zé Pilintra, porém, mais elaboradas, como os lenços de pescoço, o sapato bicolor, o chapéu panamá, o paletó, a bengala e outros, aspectos que traz mais o malandro fino, o homem elegante da época. Eram guias que se soltavam mais, galanteadores, conversadores e bem animadores, faziam todos rirem e se descontraírem, guias que foram tendo suas manifestações mais constantes e um grande número de trabalhadores, todos que têm seus nomes, mas que trazem o nome, a bandeira de ''Zé Pilintra''. Um dos guias pioneiros a se manifestar dentro deste aspecto, do ''Zé Pilintra moço'', do galanteador, do bom malandro foi seu Zé Pretinho, quem difundiu muito o nome do Mestre Zé Pilintra perante este arquétipo do malandro, do homem elegante da época, guia que pouco, quase nunca se apresentava como Zé Pretinho, trazia sempre a frente o nome do percursor desta linhagem de guias que vieram carregando a sua bandeira: Seu Zé Pilintra.

Bem, definir este sábio Mestre de Jurema, senhor Zé Pilintra e toda a sua bandeira a meu ver foi necessário a divisão em duas partes, o que posso dizer é que este nome deve ser sempre rogado com respeito e fé, porque é um nome que atravessa cultos e religiosidades, que derruba barreiras e limites daqueles que se limitam, é um nome divino, bendito e consagrado, que independentemente de onde for citado deve na frente ter pessoas que saibam respeitá-lo perante as condutas morais que carregam os seres espirituais mais elevados.

AUTOR: PAI CARLOS PAVÃO
FONTE DO TEXTO: RECANTO DAS ALMAS BENDITAS