Ligação Ancestral - UMBANDA

Blog que disponibilizará artigos sobre a Umbanda, liturgias afro-brasileiras e outros assuntos semelhantes.

domingo, 16 de fevereiro de 2014

A CRIANÇA E SUA MEDIUNIDADE - Por Pai Carlos Pavão


Embora a mediunidade seja algo que passa por todo um desenvolvimento e orientações, esta pode começar com sintomas bem evidentes muito cedo, principalmente quando criança. Pela pureza do espírito de uma criança, é muito comum nela uma percepção mediúnica maior, como: clarividência e audição mediúnica aguçada. Nesses casos devem-se quando notado por um adulto que já obtenha o devido conhecimento espiritual, ou pelo menos uma noção sobre espiritualidade que oriente a criança dentro dos limites que a mesma possa compreender a situação, mas é importante frisar para que antes este adulto averígue os fatos e tenha a absoluta certeza que não se trata de uma situação médica.
               
Outra questão que acontece, porém, mais rara, é a incorporação de espíritos ou guias espirituais em crianças, já soube de crianças que incorporaram com seis ou sete anos de idade. O que fazer neste caso, deixar a criança trabalhar espiritualmente em atendimentos e outros?  A meu ver, não! Pois tem que se lembrar que uma criança, indiferente de ter uma mediunidade prematura ou não será sempre uma criança, sua infância deve ser preservada e sua qualidade ou aptidão para o trabalho espiritual deve ser preservada e zelada para que no momento exato esta criança ao ser adulta ou estiver numa adolescência próxima da fase adulta venha a trabalhar devidamente, com mais maturidade e sem que sua infância seja interrompida.  O trabalho espiritual é como um trabalho profissional, porém, sem vínculos financeiros, a responsabilidade de trabalhar espiritualmente através da mediunidade é muito grande, alguém colocaria uma criança de sete anos de idade para exercer alguma função em sua firma, escritório ou demais?  Pois é, independentemente se a criança seja apta precocemente para a função, ela não deixa de ser uma criança, da qual não tem maturidade para lidar com as situações e rotinas deste trabalho e sua mente ainda será elaborada de forma infantil, sendo assim, a criança não tem suporte psicológico para aguentar uma rotina deste porte.  

A imaginação de uma criança é extensa, um adulto não profissional jamais consegue navegar na mente de uma criança e descobrir tudo que ali se passa, pois, há uma grande fantasia em tudo que uma criança enxerga e/ou vive, também há os riscos de traumas, visando que um trabalho mediúnico oferece riscos se não vigiado devidamente e também oferece situações árduas constantemente, que mal um adulto consegue lidar de forma equilibrada, muitas vezes as rotinas ou os ocorridos mediúnicos deixam um adulto com diversos conflitos internos, labutando para entender o que aconteceu ou acontece e precisando urgentemente do auxílio de um dirigente ou responsável sério para orientá-lo e ajudá-lo.

Numa primeira impressão pode ser lindo ver a espiritualidade se manifestar numa alma tão pura como a de uma criança, mas deixar com que esta criança venha a ter responsabilidades em desenvolver uma rotina de trabalho com esta espiritualidade, já é irresponsabilidade daqueles que autorizam isto. A espiritualidade mais do que nós tem a devida consciência do que é uma criança aqui na Terra, de como sua mente trabalha e até onde vai os limites desta criança, portanto, a espiritualidade pode dar um sinal do dom ou destino desta criança, mas respeitará seus limites, respeitará o tempo devido para que a mesma esteja pronta para a jornada espiritual, os adultos responsáveis, principalmente dirigentes espirituais, neste caso devem zelar da mediunidade desta criança, zelar da espiritualidade que lhe cerca, deixando a criança em paz e a preparando espiritualmente para que na hora exata esta já adulta ou no máximo pré-adulta venha a trabalhar numa missão espiritual através do seu tipo ou tipos de mediunidade. Já é difícil por si próprio o convívio de uma criança no meio de cultos espirituais diretos, pois é preciso muita orientação para uma criança compreender as ações mediúnicas daqueles que frequentam o culto, orientações em principalmente repassar à criança a seriedade de tudo aquilo, para que a criança não venha imitar, achar se tratar de encenações dos adultos e etc.


 É preciso sempre devidas orientações do que seja tudo aquilo que a criança vê num culto espiritual, explicar devidamente de forma que não sobrecarregue os limites da criança e de forma que ela entenda facilmente, de forma prática para que quando maior possa buscar as devidas respostas em seu tempo certo.

terça-feira, 31 de dezembro de 2013

O compromisso de ser umbandista - Por Pai Carlos Pavão


A mediunidade é uma das chamadas mais precisas para seguir no caminho da Umbanda, porém, a mediunidade não se limita apenas na incorporação. Por quê digo isso? Muitos confundem a Umbanda com uma espécie de casa que apenas acolhe ou principalmente acolhe médiuns de incorporação, mas a mediunidade é complexa, ela abrange qualquer tipo de comunicado com o plano espiritual, desde uma intuição, uma percepção, inspiração, visão, audição, incorporação e outros. Todos que na Umbanda se desenvolvem fazem por onde desenvolverem o tipo de mediunidade que mais está acentuada em seu interior, porém, também desenvolvem outros tipos se for o caso. Com isso, todos que fazem parte de uma corrente umbandista são médiuns preparados ou em processo de desenvolvimento, por isso no nome da corrente é ''CORRENTE MEDIÚNICA''. Sendo assim, o compromisso de um umbandista é o compromisso de ser um médium, e, quando nossa mediunidade é despertada passamos a trabalha-lá para que assim através dela possamos ajudar a evolução do próximo e a nossa própria evolução espiritual, enfim, passamos a trabalhar em prol da evolução espiritual de todos e de tudo, desta forma zelando por nosso corpo espiritual para que assim possamos enfrentar as barreiras da vida física.

Para que todo um desenvolvimento ocorra, para que toda esta evolução ao lado de muito trabalho espiritual flua, o indivíduo tem que assumir um compromisso disposto a se dedicar com seriedade, presteza, amor e muita fé. Mas isso privará a pessoa de sua vida pessoal? Jamais, as religiões justamente são um auxílio para que as pessoas vivam de maneira mais espirituosa, para que elas saibam lidar com as diversificadas situações da vida física e para que constantemente fortaleçam e zelem de seus corpos espirituais, pois, ambos os corpos, tanto o físico como o espiritual são de extrema importância para nós, dependemos do físico em dia para vivermos a vida carnal bem e do espiritual em dia para reabastecer o corpo físico com boas energias e para vivermos uma vida eterna na transição entre os dois mundos de forma evolutiva e construtiva. O compromisso espiritual é mais um de grande importância que escolhe para seu ciclo, sendo assim, ele vem a somar com os outros compromissos e terá seu espaço assim como os demais. A exigência é apenas que após assumir um compromisso o abrace e o siga com respeito e seriedade, não deixando como última prioridade em sua vida, todos os compromissos que assumimos para nós devem ter o mesmo grau de importância, apenas divididos e cumpridos cada um em seu espaço, sem tomar a frente do outro. Se comprometer com amor e dedicação ao culto não é apenas fazer isto por si, mas sim pelo seus irmãos de fé que ali estão com o mesmo objetivo, quando se falta num trabalho espiritual por motivos supérfluos, quando não se dispõe a lutar pelo andamento do templo, quando não cumpre seus afazeres espirituais, você não estará somente atrasando seus preceitos espirituais, mas sim atrapalhando o seus irmãos e a todos que em seu templo frequentam, pois uma corrente deve ter todos os elos firmes, e basta apenas um elo frouxo ou quebrado para toda uma corrente arrebentar.

Ser médium é um compromisso em qualquer segmento desde que passe a trabalhar esta mediunidade a colocando em prática, mas é importante lembrar que mediunidade não é sinônimo de incorporação, existem diversificadas formas de desenvolver a mediunidade, e a Umbanda trabalha com todas elas.

Pai Carlos Pavão