Ligação Ancestral - UMBANDA

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quinta-feira, 6 de novembro de 2014

JUREMA, A CABOCLA JUREMA E A UMBANDA - POR PAI CARLOS PAVÃO


Hoje o termo ''Jurema'' ficou muito conhecido na Umbanda, isso fez com que a cabocla que carrega este nome também ficasse muito conhecida. Mas de onde saiu o termo ''Jurema'' e Por quê esta cabocla virou um símbolo na Umbanda, uma das caboclas mais conhecidas nesta religião? Será tudo por causa de um equívoco ou há uma história que explica tudo isto por trás das faltas de informações?

O termo ''Jurema'' advém de uma árvore, da qual é um símbolo e ferramenta para um culto brasileiro conhecido como ''Jurema Sagrada'', o famoso Catimbó. Este é um culto formalizado nas regiões norte e nordeste do Brasil, do qual traz fortes elementos indígenas, como a pajelança, traz influências do catolicismo popular (rezas e devoções a santos) e hoje uma forte influência de tradicionalismos religiosos do panteão africanista. A Jurema Sagrada ou Catimbó é um culto diversificado, pois, tem suas vertentes como os exemplos da Jurema de Mesa e Jurema de Chão, as mais tradicionais, o culto se baseia em rezas, orações e linhas (rezas cantadas), sua maior referência é a bebida conhecida como ''Jurema'' e hoje o culto traz como ferramenta de trabalho os médiuns de incorporações, dos quais na forma tradicional do culto incorporam os mestres ou mestras de Jurema e os Caboclos de Pena, dos quais auxiliam os mestres e os praticantes com ervas e demais. Na Jurema Sagrada há os mestres espirituais, como os conhecidos Mestre Carlos e Mestre José Pilintra e os mestres carnais, que são os responsáveis pela administração do culto, do templo e dos filhos.

Por que o termo e a Cabocla ficaram tão difundidos na Umbanda?

Por trás disto há um equívoco, porém, ainda por trás do equívoco há fatos que desvendam o equívoco. A Umbanda e a Jurema Sagrada são antigas, são basicamente cultos vizinhos, porém, hoje é fácil o acesso as informações, mas antigamente não. A Jurema Sagrada sempre foi um culto muito reservado, pouco difundido e pouco comentado, seus praticantes até hoje preservam os preceitos e fundamentos do culto, obtém as devidas e mais profundas informações aqueles que vivem a Jurema: mestres e juremeiros. Mas, por entrelinhas havia algo em comum que ligava informações da Jurema pra Umbanda e da Umbanda pra Jurema, esta ponte eram os guias espirituais, principalmente os Caboclos de Pena, em específico a Cabocla Jurema e mais a frente um mestre que ficou muito conhecido na Umbanda: Mestre José Pilintra. A famosa Cabocla Jurema, tão conhecida e louvada na Umbanda foi uma das primeiras caboclas a se manifestar no culto de Jurema Sagrada, por isso carrega o nome da árvore, do culto, do símbolo deste culto: Jurema.

Por conta deste popularismo e de uma provável adaptação, muitos umbandistas utilizam o termo ''Jurema'' para se referirem as ''Matas'', como em diversos pontos cantados que se referem desta forma: ''Ô juremê, o juremá''... ''Os caboclos da Jurema''... ''A Jurema se abriu''.... ''Ele é dono do seu Juremá'', etc. Outros já enxergam a forma de dizer: ''Capangueiros da Jurema'' como se os caboclos fossem todos falangeiros da Cabocla Jurema, alguns também se referem como ''Falangeiros das matas (Jurema)''. Pois bem, isto trata-se de um equívoco que se transformou num tradicionalismo, do qual 99% dos umbandistas o utiliza em suas rotinas, inclusive eu. Mas isto começou por uma provável adaptação de um ponto muito conhecido na Umbanda, porém, utilizado em antigas casas de Jurema:

''Vou abrir minha Jurema
Vou abrir meu juremá
Com a licença do senhor Ogum
E nosso Pai Oxalá''


Linha esta que era cantada desta forma:

'' Vou abrir minha Jurema
Vou abrir meu juremá
Com a licença dos senhores mestres
Do Reino do Vajucá''



Era assim que muitas casas de Jurema Sagrada da região Norte traduziam esta linha (rezas cantadas), da qual foi adaptada na Umbanda em forma de ponto cantado. Por uma interpretação errônea de muitos umbandistas, dos quais interpretaram a palavra ''Jurema'' como mata num todo, fez com que focassem a Cabocla Jurema como uma espécie de ''Patrona das matas'' e posteriormente ''Mãe de todos os caboclos''. Na realidade a Cabocla Jurema traz o nome por conta do culto de Jurema Sagrada, esta foi uma das Caboclas mais antigas, senão a mais antiga a se manifestar em ambos os segmentos: Jurema Sagrada e Umbanda, da qual carrega consigo uma grande falange de Caboclas que se apresentam com este nome: ''Jurema'', entre elas caboclas conhecidas como: Iracema, Jandira, Jupira e outras. Um dos motivos também do crescimento do nome da Cabocla Jurema foi este, ela ser responsável por uma enorme falange de Caboclas, falange esta que predominou em diversos templos de Umbanda por todo o país.

Mas eu havia dito que por trás de um equívoco poderia vir uma explicação, não? Pois é, embora um equívoco ocorrido por conta de uma adaptação, a Cabocla Jurema é respeitada como ''Mãe de todos os Caboclos'' ou ''Patrona das matas'' por ser a Cabocla mais velha, aquela que predominou em dois segmentos e puxou toda uma falange de Caboclas com ela, portanto, existe a explicação além do equívoco, ou este ''equívoco'' pode ser uma causa proposital idealizada pela própria espiritualidade, mas sobre isto, cabe a cada um refletir.

O importante é sempre lembrar que por trás de todo um misticismo, por trás muitas vezes de motivos espirituais existem fatos, existe algo que se chama história e que nossas religiões, nossos cultos ou segmentos espirituais são ricos, e falta um pouco mais de seus praticantes darem o devido valor a toda esta riqueza histórica que trazem as religiões e/ou cultos brasileiros!

Autor: Pai Carlos Pavão
Fonte: Recanto das Almas Benditas

quinta-feira, 7 de agosto de 2014

Exus, pra quê demonizá-los? - Por Pai Carlos Pavão


Infelizmente, nos tempos de hoje e com tanto acesso a devidas informações, ainda vemos umbandistas demonizando essa bendita entidade espiritual, do qual trabalha conciliada com a lei e a justiça Divina, lei de Deus. Mas não entrarei nesses aspectos do que é exu, porque se uma pessoa o vê ainda como demônio, não está apta e preparada para conhecê-lo, para saber quem é Exu, aliás, quem demoniza os exus, tanto o orixá como os guias espirituais cultuados no Candomblé e Umbanda é porque não conhece ao menos a filosofia católica cristã do diabo, satanás e demônios, se soubesse jamais compararia Exu ao diabo. 

A melhor forma para se conhecer um exu é conviver com um, mas com um verdadeiro exu e não com mentes imaginárias que pensam incorporar guia espiritual ou com qualquer zombeteiro que se passa por exu. Uma pessoa que convive com guias espirituais de verdade tem a plena consciência do que faz um exu, de como haje um exu e aprende a compreender e discernir todos os seus mistérios, principalmente sua ronda em campos espirituais densos. Exatamente, ronda, pois Exu não é morador de planos inferiores ou trevosos, ele é um vigilante divino, um guardião da lei que ali passa nas mais diversas formas para fazer um dos trabalhos mais difíceis dos setores espirituais, e tudo em prol da evolução espiritual, da elevação de cada espírito, mas vou parar por aqui, como disse, uma pessoa que demoniza exu não tem ainda discernimento pra compreender essas palavras, esta ainda está na fase do beabá da Umbanda e se pessoas assim passou desta fase e continua demonizando exu, é porque simplesmente pulou etapas ou frequentou uma falsa escola umbandista, ou seja, um falso terreiro que prega tudo, menos o que é Umbanda, seria como uma criança que pulasse o beabá do período pré-escolar e já fosse direto para o ensino médio e posteriormente o ensino superior, se esta criança não exercer um bom caráter e procurar estudar tudo de novo, só lhe restará se juntar ao baixo caráter e comprar seu diploma, e, é justamente isto que parece ocorrer em tantos terreiros de Umbanda, pessoas incapacitadas na frente de um congá (altar) pregando aquilo que vem em suas mentes, pregando seus mais supérfluos desejos e suas vaidades.

O diabo e o Exu nunca foram parte de um sincretismo religioso e sim parte de uma grande discriminação da sociedade católica cristã, mas é até compreensível esta rejeição social católica, já que a religiosidade que a maioria seguia pregava que o caminho era os santos, anjos, arcanjos e Jesus Cristo, fazia parte das doutrinas religiosas desta massa social e quando a sociedade se deparou ao exu e todo o seu arquétipo misterioso logo o julgava pelo que sua doutrina religiosa pregava, como um demônio e outros. Mas, veja bem, é compreensível porque a esta sociedade lhe faltava as devidas informações sobre o guia espiritual que ali estava atuando na Umbanda. Mas e o umbandista, é compreensível continuar afirmando que exu é satanás, é um demônio ou diabo? Lhe faltam informações pra isso? Lhe faltam argumentos? Pra mim não é compreensível isto, pois, se cultuamos algo devemos por obrigação saber o que estamos cultuando e porque estamos cultuando, para que assim possamos com lucidez explanar àqueles que nos procuram curiosos por informações, interessados em conhecer e principalmente para que possamos explanar perante uma ação de julgamento sem devido conhecimento de causa. Mas não é isso que acontece, ainda se vê muitos pontos cantados e distorcidos dizendo: ''Ele é o maior dos satanás''...''Quem mexer com Exu está mexendo com diabo''... ''A porta do inferno estremeceu'' e outros. Isto é uma vergonha para a Umbanda!

Muitos umbandistas (se é que podemos chamá-los assim) usam a figura do exu como diabo para causar um sensacionalismo barato, pregam no dia a dia que fazem a caridade e logo quando discutem com alguém, quando passam por algum conflito pessoal, injustiça e demais, deixam a máscara do bom umbandista cair e usam exu como se ele fosse um servo da humanidade, que fica a dispor de suas mazelas, de suas vaidades, dos despeitos e demais, então já diz que vai mandar o ''satanás'' pegar, o ''diabo'' acabar com a vida do outro, etc. Sinceramente, este tipo de gente me enoja e enojará quem tem a devida consciência do que é um guia espiritual de Umbanda e principalmente um Exu. Quem anda do lado de guia espiritual, quem anda do lado de Exu não teme os conflitos da vida porque aprendeu a discernir primeiramente seus atos, porque aprendeu a reconhecer a justiça sem olhar para o próprio umbigo, tendo a ciência de que exu está acima do que enxergamos como bem ou mal, de que sua justiça é imparcial, porém parcial a Lei suprema divina e não aos nossos despeitos ou nossas razões, quem anda do lado de Exu tem a devida disposição de pedir a ele ciente de que Exu não virá defender a sua razão e sim a razão, seja ela de quem for, por isso, ''umbandista'' que julga exu tão baixo assim não merece o mínimo de respeito, justamente porque este acaba esculhambando a Umbanda e difamando algo tão divino como Exu.

Umbanda é religião de respeito para quem procura respeito e para quem merece respeito, mojubá Exu! (Meus respeitos Exu!)